Congressos, seminários e feiras com programação paralela têm uma particularidade: várias palestras acontecem ao mesmo tempo, em salas diferentes. Para o participante surdo, isso só funciona se houver intérprete de Libras nas sessões que ele quer assistir, e não apenas na plenária de abertura.
Planejar a acessibilidade em Libras num evento com várias salas exige método. Este guia mostra como mapear as sessões, dimensionar as equipes e organizar a operação para que o público surdo tenha acesso real à programação.
Em um congresso de uma sala só, uma equipe de intérpretes acompanha toda a programação. Com salas paralelas, cada sala com interpretação precisa da sua própria equipe. Além disso, a Lei 14.704/2023 determina revezamento com no mínimo dois profissionais em atividades com mais de 1 hora e limita a jornada a 6 horas diárias por profissional. Em congressos de dia inteiro, isso significa planejar turnos.
A melhor forma de definir as salas com interpretação é perguntar. No formulário de inscrição, inclua um campo para o participante indicar se precisa de intérprete de Libras e quais sessões pretende acompanhar. Com essa informação, a organização direciona as equipes para onde elas são necessárias.
Quando não há como saber com antecedência, a solução é garantir interpretação nas plenárias e em uma sala fixa por horário, divulgada como sala com acessibilidade em Libras.
Entenda os critérios de dimensionamento no artigo quantos intérpretes de Libras o seu evento precisa.
Em congressos técnicos, o vocabulário é o maior desafio. Envie para a equipe a programação, os resumos das palestras, os slides e os nomes dos palestrantes com antecedência. Quanto mais técnico o tema, mais importante é o estudo prévio.
Os cuidados com o palco estão no artigo sobre a posição do intérprete de Libras no palco.
Se o congresso é híbrido, a imagem do intérprete precisa entrar na transmissão, em janela fixa. Para sessões gravadas e disponibilizadas depois, a interpretação ao vivo pode ser aproveitada na gravação, ou a Libras pode ser gravada em estúdio para a versão final.
Em congressos com várias salas, mudanças de última hora são comuns: palestrante atrasado, troca de sala, sessão que termina antes. Mantenha um canal direto entre a coordenação do evento e a coordenação da equipe de intérpretes, por rádio ou mensagem, para que qualquer mudança seja repassada na hora. Assim, o público surdo não fica numa sala sem interpretação por falta de aviso.
Também vale orientar a equipe de recepção e os monitores das salas: eles devem saber onde estão os intérpretes, quais sessões têm Libras e como encaminhar o participante surdo que procura uma sala acessível.
Ao final, colete a opinião dos participantes surdos sobre a experiência: as salas escolhidas, a qualidade da interpretação, a visibilidade e a sinalização. Esse retorno ajuda a planejar a próxima edição e mostra ao público que a acessibilidade é levada a sério.
Não necessariamente. O ideal é interpretar as sessões que o público surdo vai assistir, definidas pela inscrição ou por uma sala fixa com acessibilidade por horário.
Não. A jornada é de até 6 horas diárias, com revezamento acima de 1 hora. Congressos longos pedem equipes em turnos.
Quanto antes, melhor, principalmente em congressos grandes. Para demandas de última hora, consulte disponibilidade.
A Transmite Libras atende congressos e eventos com programação paralela desde 2015, com mais de 700 eventos realizados.
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