Contratar intérprete de Libras para um evento é o primeiro passo. O segundo, muitas vezes esquecido, é decidir onde ele vai ficar. Um intérprete mal posicionado, escondido atrás de um púlpito, no escuro ou fora do campo de visão, transforma a acessibilidade em formalidade: ele está lá, mas o público surdo não consegue acompanhar.
A posição do intérprete no palco afeta a compreensão, o conforto de quem assiste e até a qualidade das imagens para a transmissão. Este guia reúne os critérios que a produção deve considerar ao montar o palco de congressos, convenções, formaturas, espetáculos e eventos corporativos.
A Libras é uma língua visual. Mãos, braços, expressões faciais e movimentos do corpo fazem parte da gramática. Se o público surdo não enxerga bem o rosto do intérprete, perde informação. Se precisa alternar o olhar entre o palestrante, o telão e o intérprete a cada frase, cansa e perde partes do conteúdo.
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) garante acessibilidade na comunicação em igualdade de condições. Na prática, isso significa que o intérprete precisa estar visível para quem depende dele durante todo o evento, e não apenas presente.
Sempre que a organização souber que haverá participantes surdos, vale reservar lugares nas fileiras da frente, do mesmo lado em que o intérprete vai atuar. Sinalize esses assentos e informe a equipe de recepção. Assim, quem depende da Libras tem a melhor linha de visão sem precisar disputar lugar.
O intérprete precisa de luz frontal suave e constante. Em palcos com iluminação cênica, efeitos, blackouts ou luz de contra, combine com o iluminador um foco fixo para a área de interpretação. Rosto e mãos devem estar nítidos durante todo o evento, inclusive nos momentos de vídeo, quando a luz da plateia costuma ser apagada.
Em auditórios grandes, quem está no fundo da sala pode não enxergar bem o intérprete no palco. Nesses casos, uma boa solução é captar a imagem do intérprete com câmera dedicada e exibi-la em uma janela fixa no telão, ao lado da apresentação.
Se o evento também é transmitido, a mesma câmera alimenta a janela de Libras da transmissão. Detalhamos os cuidados com o enquadramento no artigo sobre tamanho e posição da janela de Libras.
O intérprete precisa ouvir com clareza tudo o que é dito: palestrantes, perguntas da plateia, vídeos e falas de quem está fora do palco. Caixas de som voltadas para o público nem sempre chegam bem ao palco. Por isso, peça à técnica um retorno de áudio exclusivo para a posição do intérprete, como monitor de palco ou ponto eletrônico, e faça um teste antes da abertura.
Em eventos com mais de uma hora, a interpretação é feita em dupla, com revezamento. O segundo intérprete fica próximo, de apoio, e assume a função na troca. Reserve espaço para os dois, com cadeira e acesso discreto ao palco, e combine com o cerimonial como a troca vai acontecer. Entenda os critérios em por que se contrata uma dupla de intérpretes de Libras.
Não existe um lado obrigatório. O importante é ficar perto de quem fala, com boa luz, fundo neutro e linha de visão livre para o público surdo.
Sim, quando há público presencial. O telão complementa a visão de quem está longe, mas a presença no palco mantém a conexão com o palestrante e com a plateia.
A decisão é conjunta. A produção conhece o palco e os recursos técnicos, e a equipe de intérpretes orienta sobre visibilidade, luz e áudio.
A Transmite Libras atende eventos corporativos, congressos e espetáculos desde 2015, com mais de 700 eventos realizados e orientação técnica para a produção.
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