Muitas empresas querem incluir pessoas surdas, mas começam com ideias erradas sobre a Libras. Esses mitos parecem inofensivos, mas levam a decisões ruins: colaboradores isolados, clientes mal atendidos e investimentos em acessibilidade que não funcionam.
Reunimos os mitos que mais aparecem nas conversas com empresas e o que a realidade mostra sobre cada um.
Não é. Cada país tem sua própria língua de sinais. A Libras é a língua brasileira de sinais, diferente da língua de sinais americana ou da portuguesa. E, dentro do Brasil, há variações regionais de sinais, como acontece com o sotaque no português.
A Libras é uma língua completa, com gramática, vocabulário e estrutura próprios. A Lei 10.436/2002 a reconhece como meio legal de comunicação e expressão. Expressões faciais e corporais fazem parte da gramática, e não são só emoção. Por isso, improvisar gestos não substitui a comunicação em Libras.
A ordem das frases, a forma de marcar o tempo verbal e muitas construções são diferentes do português. Traduzir palavra por palavra não funciona. É por isso que a tradução precisa ser feita por um profissional que domina as duas línguas.
Algumas pessoas surdas fazem leitura labial, outras não. Mesmo para quem lê, ela é cansativa e incompleta: muitos sons têm o mesmo movimento de lábios, e basta a pessoa virar o rosto ou usar máscara para a comunicação acabar. Leitura labial não substitui intérprete em reuniões ou treinamentos.
Para muitas pessoas surdas, o português escrito é segunda língua. Bilhetes e e-mails ajudam em recados simples, mas não dão conta de uma entrevista, uma negociação ou um treinamento de segurança. Veja como fazer um atendimento de verdade no guia sobre atendimento ao cliente surdo.
A legenda transcreve o português e é importante, mas não substitui a Libras para quem tem a língua de sinais como primeira língua. Em vídeos e eventos, o ideal é oferecer as duas.
Saber Libras não é o mesmo que ser intérprete. Interpretar exige formação, técnica, ética e prática em contextos específicos, como eventos, saúde ou reuniões corporativas. A Lei 14.704/2023 trata da profissão de tradutor, intérprete e guia-intérprete de Libras.
O termo correto é pessoa surda. A maioria das pessoas surdas não tem nenhum problema nas cordas vocais. Muitas não usam a voz porque não ouvem, e não porque não podem.
Cursos de Libras para equipes aproximam colegas e melhoram o dia a dia, mas não formam intérpretes. Reuniões, treinamentos e atendimentos formais continuam precisando de profissionais.
Há formatos para cada necessidade: intérprete presencial em eventos, intérprete por videochamada para demandas pontuais e vídeos gravados com janela de Libras para conteúdos que se repetem. Planejar com antecedência costuma reduzir custos e evitar contratações de última hora.
Pessoas surdas trabalham em todas as áreas: tecnologia, saúde, administração, indústria, educação e muitas outras. O que limita a atuação não é a surdez, e sim a falta de acessibilidade. Com comunicação adequada em reuniões, treinamentos e ferramentas de trabalho, o colaborador surdo pode crescer na carreira como qualquer outro.
A melhor fonte de informação é o próprio colaborador. Conversar com ele, com intérprete, sobre como prefere se comunicar em cada situação evita investimentos errados e mostra respeito. As necessidades podem mudar com o tempo, por isso vale repetir essa conversa periodicamente.
Pergunte a ele. Cada pessoa surda tem uma forma preferida de comunicação, e ela pode variar conforme a situação.
Sim. Desde 2015, já atendemos mais de 380 empresas com intérpretes, vídeos em Libras e curso para equipes. Conheça o serviço de intérprete de Libras para empresas.
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