Muitas empresas contratam pessoas surdas para cumprir a lei de cotas. Contratar, porém, é só o primeiro passo. Sem comunicação acessível, o colaborador surdo fica de fora de reuniões, treinamentos e oportunidades de crescimento, e a vaga vira apenas um número no relatório.
Este guia explica o que a lei de cotas exige, como ela se relaciona com a Lei Brasileira de Inclusão e o que o RH pode fazer para que a inclusão de pessoas surdas funcione na prática.
A lei de cotas está no artigo 93 da Lei 8.213/1991. Ela determina que empresas com 100 ou mais empregados reservem parte dos cargos para pessoas com deficiência ou reabilitadas pela Previdência Social. O percentual varia conforme o porte:
Pessoas surdas e com deficiência auditiva estão entre os profissionais que podem ocupar essas vagas.
A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) garante à pessoa com deficiência o direito ao trabalho em igualdade de oportunidades, incluindo acesso a treinamentos, promoções e um ambiente acessível. Para a pessoa surda, acessibilidade significa comunicação: a Lei 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão.
Em outras palavras, a empresa cumpre a cota quando contrata, mas só cumpre a inclusão quando o colaborador consegue participar da rotina como os demais.
Veja como tornar a primeira etapa acessível no post sobre entrevista de emprego com candidato surdo.
A inclusão depende dos gestores do dia a dia. São eles que marcam reuniões, dão feedback e distribuem oportunidades. Oriente as lideranças a solicitar intérprete com antecedência, a incluir o colaborador surdo nas decisões da equipe e a verificar se as informações importantes chegaram em Libras. Um curso de Libras para gestores, em turmas fechadas, ajuda a quebrar a barreira inicial e mostra ao colaborador que a empresa leva a inclusão a sério.
Comunicados por e-mail, murais e grupos de mensagem são escritos em português, que muitas vezes é a segunda língua da pessoa surda. Vídeos curtos com janela de Libras para os comunicados mais importantes, como mudanças de benefícios, campanhas de segurança e mensagens da diretoria, garantem que todos recebam a mesma informação. Saiba mais em comunicação interna acessível em Libras.
O RH pode medir se a inclusão está funcionando: tempo de permanência dos colaboradores surdos, participação em treinamentos, número de atividades com intérprete e satisfação em pesquisas internas. Ouvir os próprios colaboradores surdos é o melhor termômetro.
Não pela lei de cotas. Mas a LBI vale para todas as empresas: se houver colaborador surdo, a comunicação precisa ser acessível.
Depende da rotina e do número de colaboradores surdos. Muitas empresas combinam intérprete agendado, videochamada e vídeos com Libras.
Cada pessoa surda tem uma forma preferida de comunicação. Algumas oralizam e fazem leitura labial, outras se comunicam principalmente em Libras. O caminho é perguntar ao colaborador o que funciona melhor para ele em cada situação, como reuniões, treinamentos e conversas individuais.
Sim, se houver colaboradores surdos. Vídeos com janela de Libras e legenda permitem que o treinamento seja feito no mesmo prazo e com o mesmo conteúdo dos demais.
Sim. Desde 2015, já atendemos mais de 380 empresas. Conheça o serviço de intérprete de Libras para empresas.
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