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Os treinamentos das Normas Regulamentadoras, as NRs, existem para que cada trabalhador conheça os riscos da sua atividade e saiba como se proteger. NR-10, NR-35, NR-33, NR-12, NR-6: cada norma tem conteúdos obrigatórios, carga horária mínima e registro de participação.

Quando há trabalhadores surdos na equipe, o treinamento só cumpre a sua função se a informação chegar completa. Um procedimento de segurança mal entendido é um risco que continua na operação. Este guia mostra como tornar os treinamentos de NR acessíveis em Libras.

Por que o treinamento precisa de Libras

Para muitas pessoas surdas, a Libras é a primeira língua e o português escrito é a segunda. Apostilas, slides e provas em português nem sempre são suficientes, especialmente com vocabulário técnico. Leitura labial também não resolve: boa parte dos sons da fala não aparece nos lábios.

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) garante acessibilidade na comunicação e no trabalho. Em segurança do trabalho, a acessibilidade protege o trabalhador e também a empresa, que precisa comprovar que o treinamento foi efetivamente ministrado e compreendido.

O risco do improviso

É comum que um colega que "sabe um pouco de Libras" ajude no treinamento. A intenção é boa, mas saber alguns sinais não é interpretar. Termos técnicos, regras e riscos se perdem no caminho, e a empresa fica sem como demonstrar que a informação foi transmitida por um profissional habilitado.

Com um intérprete profissional, a mensagem chega completa ao trabalhador surdo e as dúvidas dele voltam ao instrutor em tempo real.

Como planejar o treinamento

  1. Informe ao intérprete qual NR será ministrada, a carga horária e o local.
  2. Envie apostilas, slides, vídeos e a avaliação final com antecedência.
  3. Combine com o instrutor pausas nas explicações técnicas e nas demonstrações.
  4. Posicione o intérprete perto do instrutor e com boa iluminação.
  5. Em atividades práticas, planeje onde o intérprete fica para que o trabalhador veja a demonstração e a interpretação.
  6. Peça que os vídeos de segurança tenham legenda ou janela de Libras.

Carga horária e revezamento

Muitos treinamentos de NR têm 8, 16 ou até 40 horas. A Lei 14.704/2023 prevê revezamento de intérpretes quando a atuação passa de uma hora. Em treinamentos longos, a empresa deve contar com dupla de intérpretes, alternando em intervalos combinados. Isso garante qualidade do início ao fim, inclusive na avaliação.

Parte prática e área operacional

Treinamentos como NR-35 (trabalho em altura) e NR-33 (espaço confinado) têm parte prática em campo. O intérprete precisa conhecer o roteiro, os equipamentos e as condições do local. Em áreas ruidosas ou abertas, combine sinais de segurança e pontos de parada antes de começar.

Avaliação e registro

A avaliação de aprendizagem deve ser acessível. Isso pode significar interpretar as questões em Libras, permitir respostas em Libras com registro em vídeo ou adaptar a linguagem das perguntas. No registro do treinamento, inclua que houve interpretação em Libras e quem foi o profissional responsável. Esse registro é importante para a gestão de segurança e para eventuais auditorias.

Além do treinamento

A comunicação de segurança acontece todos os dias: DDS, ordens de serviço, permissões de trabalho, comunicados de risco. Para essas situações, a empresa pode combinar intérprete presencial nos momentos programados e a Plataforma de Libras 24H para conversas imprevistas, com intérprete por videochamada em até 90 segundos.

Quem participa do planejamento

Um treinamento acessível envolve várias áreas. O SESMT define o conteúdo e a carga horária. O RH sabe quem são os trabalhadores surdos, em que turnos e unidades estão. A liderança da área libera o tempo de treinamento. O instrutor ajusta o ritmo e as demonstrações. E o intérprete prepara o vocabulário técnico.

Quando essas áreas conversam antes, o treinamento flui. Quando a necessidade de intérprete aparece só no dia, a empresa improvisa, e o improviso é justamente o que a segurança do trabalho tenta evitar.

Integração e reciclagem

Os treinamentos de NR não acontecem uma vez só. Há o treinamento admissional, na integração do novo colaborador, e as reciclagens periódicas previstas em cada norma. Vale incluir o intérprete de Libras no calendário anual de treinamentos, junto com as datas de reciclagem, para que a acessibilidade não dependa de lembrar de última hora.

Também é recomendável que os vídeos institucionais de segurança usados na integração sejam produzidos com janela de Libras e legenda. Assim, o conteúdo fica acessível sempre que for exibido.

Perguntas frequentes

Quais NRs precisam de intérprete?

Todas, quando há trabalhadores surdos participando. O conteúdo de segurança é o mesmo para todos, e a comunicação precisa ser acessível.

Legenda substitui o intérprete?

Não. A legenda ajuda em vídeos, mas não substitui a interpretação ao vivo, as dúvidas e a parte prática.

O treinamento pode ser online?

A parte teórica, sim, com intérprete por videochamada ou na transmissão. A parte prática precisa de intérprete presencial.

Como contratar?

Envie a NR, a carga horária, a cidade e o número de participantes surdos. A Transmite Libras atende empresas em todo o Brasil desde 2015, com mais de 380 empresas atendidas.

Precisa de intérprete de Libras?

A Transmite Libras atende empresas e instituições em todo o Brasil desde 2015, com intérpretes presenciais e online, janela de Libras e gravação de vídeos em Libras. Fale com nosso time e receba retorno em até 1 hora útil.

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